Ela escreve livros, é rica, tem problemas mentais e disturbio comportamental.
Se fosse uma personagem da Virginia Woolf seria apenas uma figura corriqueira.
Ela habita o submundo trash da cultura brasileira, e se sobressai por ser rebaixada ao patamar de “piada nacional”. E provavelmente ela não tem um feixe de consciência que a ilumine, é uma célebre figura depressiva da vida contemporânea que deve merecer mais atenção e reconhecimento.
Analisando o nível cultural da Narcisa, notoriamente ela se enquadraria no que pode-se chamar de “depressão cinza” - as culturas AB vivem reclusas e reféns do cinza das metrópoles, isso pode causar danos intelectuais, técnicos e estéticos. O que poderia se resumir em “não agarrou as oportunidades da vida” pode ser uma incapacidade nata dos ricos por não desenvolverem técnica suficiente para manejar a vida uma vez que há sempre alguem sendo pago pra maneja-la no seu lugar.
Através da depressão cinza podemos observar muitas questões que assolam o pensar e o viver do brasileiro. Em muitos casos nos deparamos com o vazio aparentemente contemplado na cultura contemporânea desse país (o que difere absurdamente do “bufanismo” cultural), mas costumamos deixar de lado as questões psicológicas que se relacionam com esse suposto vazio deixando também de gozar dos benefícios causados por essa experiencia.
Rebolar-se significa permitir-se analizar através da cultura trash a postura e o lugar que pertence ao ser humano no universo e na sociedade.
Permita-se! Rebole-se!





